sábado, 9 de agosto de 2008

friend of the night

Quando mais nova, costumava conversar com estrelas. Sim, é verdade! Uma, em específico. Se me respondia? Não sei ao certo, mas lembro-me bem que era muito brilhante.

E lembro também que ao me basear na intensidade de seu brilho, tirava minha próprias conclusões de resposta. Quando tão brilhante, a luz lépida que emanava de sua vida, às vezes tão precoce, às vezes tão sadia, fazia fielmente a lembrança de um "ora, entendo...". Quando lucilante, para mim estava triste, ou desfigurada de sua função, a função de tornar belo aquilo que nem sempre é percebido. Aí então me deitava na grama, com aquela lufada sobre meu rosto, e começava a contar sobre meu dia. Porém sempre fui muito lacônica, então não durava muito. Na verdade, gostava de pedir-lhe conselhos amorosos, ou de usá-la como espelho-do-coração, para o amor que esperava-me do outro lado da Galáxia, fitando a mesma estrela, sob o mesmo cenário.

Até que um dia descobri que a Minha amiga havia mudado de posição (ficava na constelação de Órion, inconstante), e que eu estava sozinha, no meio de tantas outras estrelas desconhecidas, de sistemas distantes, à trilhões de anos-luz por aí. Cheguei a conversar com algumas, durante algum tempo, porém olhava o Céu com a esperança de tornar a vê-la novamente, brevemente. Sei que não é caso perdido, oras! E a minha Estrela por fim apareceu, com uma luz tão ofuscante, como jamais mostrara. Não estava mais sozinha.

Hoje não mais converso com estrelas. Mas sei que ela sempre estará lá, no mesmo lugar, na mesma constelação, ao anoitecer, conversando comigo, através de seu brilho, deveras amigo.